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O Relógio Rotário foi o orgulho dourado da Cidade faminta por modernidade, mas não passou imune a duras críticas

*POR SIDENEI DEFENDI – CONTEÚDO AUTORAL –

Os Relógios Rotários erguiam-se como promessas de precisão, o orgulho dourado de cada Cidade faminta por modernidadeMas quando o apagão vinha – devido a oscilação da energia elétrica – o monumento à hora certa tornava-se estátua da falha pública e o farol do progresso congelavatransformando a satisfação urbana na mais dura crítica.

No final dos anos de 1960, o Rotary Clube de Pedreira instalou na parte fronteiriça da Praça Augusto Gonçalves, na Vila Santo Antonio, um Relógio Público, com publicidade de empresas da Cidade. Talvez tenha durado uma década.

Em 24 abril de 1970, através da Lei Municipal nº 688, assinada pelo prefeito Oswaldo Teixeira de Magalhães, a Municipalidade recebia, em doação, o RELÓGIO ROTÁRIO, ficando responsável pela sua preservação e ainda a conservação das placas de propaganda que envolviam a torre e sustentação. A princípio, se esperava o “Monumento da Pontualidade.”

Em todo o país se desenvolvia um trabalho de consolidação da imagem do Rotary, como uma organização de líderes comunitários, voltada ao serviço humanitário e ao desenvolvimento local. Enfim, era a criação da identidade do Clube, que consequentemente, desejava dar visibilidade às suas ações.

Os Relógios Rotários eram instalados em locais de grande fluxo de pessoas, e no caso de Pedreira, era o caminho de centenas de pedreirenses às fábricas de louças e porcelanas, espalhadas por todos os cantos da Cidade. Tinham no Relógio a certeza do início e de uma nova jornada e o começo do descanso noturno.

Não se pode negar que foi um tremendo serviço de utilidade pública, em uma época em que o acesso a relógios de pulso e à hora exata eram difíceis – havia o relógio da Matriz Sant’Ana – e nem se cogitava os dispositivos móveis que hoje oferecem a medição do tempo na palma da mão. Naquela ocasião, era um benefício prático e direto à população.

A inclusão de espaços para anúncios publicitários foi à forma de tornar o projeto viável. Frequentemente eram comercializados com empresas locaise os lucros ou a própria doação da estrutura permitiam que o Rotary financiasse outras ações sociais.

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Outra questão interessante. Naquele tempo não havia, ou melhor nem se considerava a Parceria Público-Privada – PPP – que é algo mais recente. As prefeituras cediam o espaço público e assumiam o papel de guardiãs, enquanto o Rotary entrava com a viabilização do equipamento e a manutenção inicial, criando um modelo de parceria para a melhoria do mobiliário urbano.

Vale lembrar que, já naquele período, havia reclamações: sim, o relógio às vezes parava, devido às constantes paralisações da energia elétrica. E ele não era infalível. Permanecia atrasado por várias horasPor falta de alimentação, o coração do relógio também parava.  Houve crônicas contestando o seu funcionamento, através dos colunistas, Milton Wallter Setembro, que era delegado de polícia e, Hélio José dos Santos, que trabalhava na Prefeitura.

O Relógio Rotário saiu de cena no final dos anos de 1970cedendo seu lugar a uma fonte com espelho d’água e chafariz, marco que redesenhou as fronteiras das ruas próximas à Praça Augusto Gonçalves. A inauguração foi um ato de pompa, selado pelas presenças do senador Orestes Quércia, do prefeito Hygino Amadeu Bellix, de Ayrton Amaral Gonçalves, integrante do Legislativo municipalprovavelmente como presidente entre 1977 e 1978Outros vereadores e o vice-prefeito Sérgio Roberto Ferreira da Silva Braga também se fizeram presentes ao evento.

Contudo, o destino da fonte foi efêmero. Pouco mais de um lustro após o seu primeiro jorro, a estrutura sucumbiu ao progresso. Sob a gestão de Dario Zanini, o monumento foi removido. O pulsar da Cidade e o crescente número de veículos transformaram o que era ornamento em um enorme obstáculo ao fluxo do tráfego urbanoA decisão da supressão teria ocorrido também em face de um acidente grave registrado nas imediações.

Hoje, ao ver uma foto que relembra esse fato, as pessoas criticam por ter sido retirado. Mas, na época, os que o tinham como guia do dia a dia, o repudiaram por nem sempre oferecer a hora certa. O Relógio Rotário se foi, mas deixou em Pedreira a memória de um tempo em que a cidade inteira olhava para o mesmo lugar para saber se era o momento exato de seguir.

*Sidenei Defendi é jornalista profissional, mestre de cerimônias, “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras. Este conteúdo é autoral – (Texto criado em 12 de maio de 2026, às 19h32).

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Sidney Defendi

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