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O Azarão e o Alazão na Pista Nacional

A política brasileira virou um hipódromo onde a lógica costuma ser atropelada pelo emocional.
O atual campeão está montado em um alazão robusto, alimentado com a ração farta da máquina pública.
Eis que surge Flávio, hoje o azarão oficial.
Ele cavalga um pangaré que ficou, de uma hora para outra, “asqueroso” aos apoiadores por causa de um filme que era para ser uma homenagem e virou fita de terror criticada por todos.
Afinal, quando falta pão — digo, índices nas pesquisas —, todos viram as costas.
O cavaleiro de Dark Horse, no momento, mal consegue manter o trote sem perder a ferradura da popularidade, mas ainda está no páreo.
Enquanto o favorito desfila garboso, distribuindo benesses como quem espalha alfafa, o nosso herói segue na retaguarda, deixado para trás pelos amigos e pelos partidos receosos de mais algum tropeço pelo caminho.
Contudo, o que hoje é motivo de escárnio e chacota pode, num galope, tornar-se a virada épica do improvável.
Afinal, neste Grande Prêmio Brasil, a pista é traiçoeira e pangarés azarões têm o hábito irritante de, quando menos se espera, cruzar a linha de chegada na frente, deixando o favorito com cara de quem foi atropelado ‘por uma cabeça’.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do Autor – Este texto fotografa o momento de isolamento político e fritura pública de um candidato (“Flávio”) que, após um erro crucial de narrativa — simbolizado pelo filme que pretendia coroá-lo e acabou por afastar seus aliados —, vê-se relegado à posição de azarão. A analogia do hipódromo despe o pragmatismo da política e a reduz ao seu estado mais visceral: uma corrida de apostas volúveis, movida a paixões e interesses imediatos. Ao evocar a expressão “por uma cabeça”, o texto flerta com a melancolia do clássico tango de Carlos Gardel (Por una Cabeza), cuja letra narra a tragédia do apostador que perde tudo em um páreo por apenas uma cabeça de distância. Na política, assim como no tango, a lealdade dos “amigos de ocasião” dura apenas enquanto o cavalo parece vencedor; basta um tropeço na pista para que o cavaleiro seja abandonado à própria sorte, restando-lhe apenas a esperança de uma reviravolta tardia e improvável na reta final.
J Tannus

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J. Tannos

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