*Por Sidenei Defendi – Conteúdo Autoral –
Na introdução do livro “Sonhos, Ideais e Trabalho”, do empresário Toninho Ganzarolli, destaquei que: “É muito difícil escrever sobre a vida de alguém ou sobre uma empresa, principalmente, quando a pessoa a ser retratada não para de surpreender, continua com ações fecundas de trabalho, e é extraordinariamente repleta de ações e de ideias.” E os hábitos não se alteraram em nada, desde o lançamento de sua história como cidadão, homem de família, empresário, dirigente de entidades como a FIP e FUNBEP e político.
O tempo passa, mas a agilidade de Antonio Ganzarolli Filho permanece intacta. Ao despertar de cada dia, ele caminha em direção à empresa que ajudou a construir. Hoje, sob o olhar atento e a liderança de suas filhas, Valéria e Rejane, ele ocupa o posto de diretor-presidente de honra, testemunhando com orgulho a evolução do seu legado. Sua mente, sempre jovem e inquieta, continua a semear criatividade e ideias revolucionárias.
Nascido aos 13 de junho de 1934, na Rua Pedro Ferrari, em Pedreira, São Paulo, sendo o terceiro filho do casal Henriqueta Bróglio Ganzarolli e Antonio Ganzarolli (Tomix). Diante da infância humilde, no período em que não frequentava a Escola, cortava capim para alimentar os animais pertencentes a Hygino Amadeu Bellix. Em seguida foi trabalhar como auxiliar de serviços no Matadouro de Olival Pires, juntamente com o seu amigo e filho do dono, Zé do Olival.
Depois conseguiu um emprego como estampador de xícaras, na Porcelana São Sebastião. Aplicado e querendo aprender sempre mais, Toninho começa a se interessar por carpintaria, marcenaria, serviços de eletricidade e de encanador. Juntou-se ao primo Waldemar Bróglio. Durante à noite, e aos finais de semana, executavam serviços de madeiramento, colocavam forro, portas, assoalhos, faziam instalações elétricas e hidráulicas entre outros.
Posteriormente, trabalhou sozinho, sem, no entanto, deixar a São Sebastião. O “faz-tudo” Toninho, atuante, determinado, eficiente no serviço, não passou despercebido por um dos patrões, Américo Pierri. Foi convidado a integrar a sociedade de uma nova empresa, em 1956: a Cerâmica São Joaquim, que estava sendo instalada na Vila Canesso, divisa com a Vila Nova e Bairro Santa Cruz.
Para ser sócio da nova indústria, Toninho Ganzarolli juntou toda a economia que tinha guardado, pelas centenas de serviços feitos, à noite e aos finais de semana, e ainda contou com a providencial ajuda dos familiares. O esforçado funcionário passava a ser patrão. A sociedade era composta – além de Ganzarolli – por Heitor Moreira, Américo Pierri e Eduardo Frazatto. Dois anos depois, em 12 de junho de 1958, um novo sócio foi incorporado à empresa: João Baptista Daldosso.
Com estilo inovador, e muito observador e tendo facilidade para elaborar novos produtos, em pouco tempo Toninho reformulou a produção de xícaras e bibelôs. Vislumbrou nas canecas de chope um nicho em expansão, o que deu visibilidade e prestígio à Organização. Os sócios Eduardo Frazatto e Heitor Moreira deixaram a indústria em 12 de novembro de 1964. Américo Pierri saiu da sociedade em 5 de dezembro de 1978. Com maior número de cotas, Ganzarolli assumiu de vez o comando da empresa, tendo como sócio João Baptista Daldosso.
No dia 12 de julho de 2026, a São Joaquim completará 70 anos de atividades, com uma trajetória marcada pelo trabalho, inovação e o orgulho de levar o nome de Pedreira para todos os cantos do Brasil. Em reconhecimento a essa história de sucesso, a Câmara Municipal de Pedreira aprovou a Moção nº 76, de autoria do vereador Laurizio Ravictor e apoiada pelos demais integrantes da Casa de Leis, registrando votos de congratulações pelos relevantes serviços prestados ao município e ao país.
Antonio Ganzarolli Filho participou diretamente da constituição de diversas empresas como: Indústria Nacional de Plásticos Pedreira (foi um dos fundadores), Porcelana São Paulo, Decoradora São Joaquim, Transportadora São Joaquim, Mineração Ganzarolli, Decalgênio e Recanto Comercial São Joaquim (Posto Canecão). Foi um caminho empresarial intenso. Evidente que se deparou com obstáculos, mas todos ultrapassados com vigor e determinação
Ajudou ainda, a criar Instituições filantrópicas, presidiu com equilíbrio a FUNBEPE – Fundação Beneficente de Pedreira – mantenedora do Hospital e Maternidade Humberto Piva, tendo sido reconhecido pelo trabalho realizado; integrou o grupo que fundou o Rotary Clube de Pedreira, mas seu dinamismo o levou ao Lions Clube de Pedreira, onde fez um trabalho de integração muito grande e representou o Clube de Serviço, no País e no Exterior.
Foi o grande responsável pela implantação e constituição jurídica – e por isso, se manteve à frente por quase três décadas – da FIP – Feira Industrial de Pedreira, quando teve o respaldo de inúmeros companheiros, que atuaram voluntariamente na construção do Palácio das Indústrias.
Iniciou sua vida política como vereador (1969-1972) e depois conseguiu materializar o sonho de ser prefeito de Pedreira (1997-2000), tendo como vice a professora Maria Elisa Vicentin Pintor, com obras essenciais e implantação de um modelo diferenciado de Administração Pública. Para a posse fez questão de ter a presença de Dona Ismênia, sua primeira professora. Além disso, ocupou por três vezes o cargo de vice-prefeito do Município: uma com Hygino Amadeu Bellix (1989-1992) e em duas oportunidades com Hamilton Bernardes Junior (2005-2008 e 2009-2012). Elegeu-se novamente vereador no período 2013-2016 e também para o quadriênio 2017-2020, tendo inclusive por um curto período ocupado a presidência da edilidade.
Em 1975, a São Joaquim foi parar nas páginas da famosa revista “O Cruzeiro”. Ganzarolli presenteou o presidente da República, Ernesto Geisel, com um Canecão, na abertura da Festa da Uva, em Caxias do Sul/RS. A maior produtora de canecas do País, tinha a cara do “Magazine”, uma vez que a empresa também produzia os modismos da época em porcelana. O empresário visionário tomava rápidas decisões ao acatar os pedidos dos mais importantes Clubes do País para a confecção de suas já famosas canecas, para os mais conceituados Festivais de Chope, Vinho, Cerveja, Quentão, Chocolate, Mate, Cachaça, Sorvete entre outros.
Toninho Ganzarolli, teve a honra de presentear e ser recebido pelas mais altas autoridades, incluindo presidentes da República: Ernesto Beckmann Geisel, João Baptista de Oliveira Figueiredo, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Miguel Elias Temer Lulia.
A Cerâmica São Joaquim foi a primeira empresa de Pedreira a patrocinar um programa de TV. Sim, um noticioso esportivo diário, levado ao ar para todo o Estado. Foi o “Comendo a Bola”, programa da hora do almoço, da TV Tupi, de São Paulo, Canal 4, que tinha no comando Gerdy Gomes, com comentários do polêmico Geraldo Bretas.
Políticos, religiosos, artistas, atletas famosos, dirigentes e turistas fizeram questão de conhecer a São Joaquim. Quem coloca os pés em Pedreira, se interessa pelas canecas da São Joaquim e certamente, vai fazer um “tour” pela empresa. A São Joaquim foi a responsável pela produção das canecas do “Programa Jô Onze Meia, no SBT”, elaborada pela Equipe em tempo recorde. Chico Pinheiro (no Estúdio do Bom Dia Brasil), no Rio de Janeiro e Rodrigo Bocardi (no Estúdio do Bom Dia São Paulo), em São Paulo, e Glória Vanique (no Estúdio do Radar SP), do BDSP, em São Paulo, também exibiram as canecas produzidas com exclusividade e personalizadas para os respectivos Informativos e se tornaram companheiras inseparáveis em todas as edições matutinas.
Com o objetivo de expor as principais peças produzidas pela empresa, em seus 70 anos, Toninho Ganzarolli, em um dos pavilhões da sede produtiva-administrativa, instalou o “Memorial São Joaquim”. Em um dos nichos, há 60 canecas, com os nomes dos primeiros 60 funcionários. Isso porque a estrutura foi inaugurada nos 60 anos da empresa, em 2016. É um prêmio a todos aqueles que passaram pela Indústria e que tem a sua participação reconhecida.
Casado com Margarida Janete Ganzarolli, em 12 de julho de 1966, tem duas filhas: Valéria Maria Ganzarolli e Rejane Maria Ganzarolli. Curte bastante os cinco netos. Corintiano apaixonado e sócio participativo, desde 1966. Daqueles que saem da Cidade – não importando a distância – para ver, no estádio, o Timão jogar.
Os poetas sempre pontuaram em seus versos que a paixão não se explica. Vive-se e se sente. É um sentimento inexplicável, grandioso, duradouro, mágico, de plena e pura emoção. E, muitas vezes, essa flama se supera e eleva a alma. Antonio Ganzarolli Filho sempre esteve envolvido com a agremiação alvinegra de Parque São Jorge, e não poderia ficar de fora do Corintinha de Pedreira. Foi diretor e colaborador incansável por diversos anos e presidiu a Instituição por três mandatos: em 1967, 1968 e 1969.
Viviam-se os anos de 1970. Todo mundo estava curtindo a nova opção: a Lanchonete Canecão, do Posto Canecão, recém-inaugurado, na Via Marginal, de propriedade do Toninho Ganzarolli. Não se falava em outra coisa na cidade! Arrendada, a Lanchonete foi comandada por muito tempo pelo Zinho Henrique e sua esposa Terezinha. O espaço se tornou o preferido pelos que queriam algo diferente.
E como sempre, o empresário Toninho Ganzarolli enxergou longe. Não existiam Lojas de Conveniência em posto de combustíveis. O aparecimento delas foi condicionado pelo processo de desregulamentação do Setor, na segunda metade da década de 1980, mais precisamente, no ano de 1987. Sua ideia causou profundas modificações nos Postos de Combustíveis da Região, para alegria dos consumidores. As Lojas de Conveniência fazem, hoje, um estilo ideal à vida moderna, e são as grandes provedoras de todas as horas.
O sonho de assumir a Prefeitura da Cidade natal, veio com o consagrado mantra “quem acredita, sempre alcança” e integra a história política de Antonio Ganzarolli Filho. O sonho é onde a esperança do homem nasce, onde tudo é possível. Almejar ajuda a crescer, a aprender. Quem não aspira, não tem caminhos a serem percorridos, nem objetivos a se realizarem. Por isso, tem de persistir até alcançar as metas desejadas. Com uma diferença de 2.275 votos, Antonio Ganzarolli Filho – que tinha a professora Maria Elisa Vicentin Pintor, como vice – venceu a disputa à Prefeitura de Pedreira, em 1996. O peemedebista obteve 53,57% dos votos válidos (9.243), contra 6.968 votos de Hygino Amadeu Bellix (PPB), 40,39%. O terceiro concorrente, José Antonio Cremasco, do PT, obteve 1.041 votos, (6,03%).
Por mais de duas décadas, a FIP – Feira Industrial de Pedreira – teve uma participação decisiva no desenvolvimento da indústria de Porcelana, gerando oportunidades de emprego, de promoção no mercado aos empresários e à Cidade. Não tem como negar que a FIP já nasceu vitoriosa e evoluiu muito nos seus anos de existência.
A FIP como Entidade Civil de Direito Privado, ou seja, com personalidade jurídica, foi concebida em 6 de agosto de 1974. A abertura oficial da FIP- Feira Industrial de Pedreira – como Instituição constituída juridicamente, finalmente chegou: sexta-feira, 16 de julho de 1976, à noite, no Palácio das Indústrias, no 1° Distrito Industrial.
A FIP – Feira Industrial de Pedreira, pela sua vistosidade, atraia milhares de turistas dos mais variados pontos do país, lotando bares, lanchonetes e os poucos restaurantes existentes, causando longos congestionamentos pelas apertadas ruas, pela quantidade de veículos oriundos dos mais diferentes pontos do Estado e do País – despertou a atenção de cidades da Região.
Por mais de cinco décadas, Pedreira foi o polo centralizador das mais diversificadas empresas de faiança, louças e porcelana do País. Era uma ofertadora de mão-de-obra. Por isso, havia tantos artistas na Cidade, que modelavam, esculpiam e criavam peças fantásticas.
A FIP continua viva através do “turismo de negócio”. Esse novo conceito comercial é o maior legado deixado pela famosa Exposição, que impulsionou as atividades, que se tornaram cada vez mais qualificadas. A realização da Mostra permitiu a Pedreira um crescimento impensável até então, além de ter movimentado a economia. Foi a grande motivadora para o desenvolvimento e consequentemente a comercialização dos produtos industrializados no Município.
Na dianteira desta notável caminhada está o incansável Antonio Ganzarolli Filho, o conhecidíssimo Toninho Ganzarolli, Embaixador da Cidade, título conferido pela Câmara Municipal, numa iniciativa do vereador Claudinho Cassiani, e instituído pela RESOLUÇÃO Nº. 03/2019.
No dia 13 de junho de 2026, Ganzarolli celebra 92 anos de vida. Um homem cuja história pessoal se entrelaça com a própria evolução da indústria cerâmica pedreirense. Coleciona momentos curiosos e inesquecíveis. Um deles envolve o renomado jornalista esportivo Milton Neves, que ao ser condecorado com o título de cidadão pedreirense, Milton, com seu estilo irreverente e bem-humorado, encontrou uma definição perfeita para Antonio Ganzarolli Filho. Chamou-o de o “Pelé das Canecas”
A expressão arrancou sorrisos, mas traduziu uma verdade. Assim como o Rei do Futebol se tornou referência mundial em sua arte, Toninho Ganzarolli transformou-se em símbolo de excelência em um segmento que ajudou a construir a identidade econômica e cultural de Pedreira. Setenta anos depois da fundação da Cerâmica São Joaquim, a homenagem da Câmara Municipal não celebra apenas uma empresa, mas, sim uma família, uma trajetória de empreendedorismo, uma história de perseverança e, sobretudo, um homem que, aos 92 anos, continua chegando à fábrica todos os dias para provar que a paixão pelo trabalho não tem prazo de validade.
E talvez seja por isso que o apelido criado por Milton Neves tenha atravessado o tempo. Porque, para gerações de pedreirenses, Antonio Ganzarolli Filho continuará sendo, com justiça, o inesquecível “Pelé das Canecas”. As histórias da Cerâmica São Joaquim e do Toninho Ganzarolli merecem mesmo ser contadas pelo destaque conquistado ao longo de sete décadas. Há personagens que ultrapassam a condição de empresários e se transformam em patrimônio vivo da cidade. Toninho, aos 92 anos, ainda presente diariamente na fábrica, é um desses casos raros.
*Sidenei Defendi é jornalista profissional, mestre de cerimônias, “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras. Este texto foi elaborado em 11 de junho de 2026 às 18h56.




