A temporada eleitoral mal começou e já virou uma série patética, um pugilácio com trocas de maus humores entre os candidatos, tanto dentro do país como fora.
Nesse jogo da política, até a disputa para saber se a bandidagem faz terrorismo ou virou uma máfia vale ouro.
Não porque mude a realidade do crime no Brasil — que continua operando com a tranquilidade de quem já aprendeu a entrar dentro do Estado pela porta da frente — mas porque rende aquela aura de influência internacional que todo candidato adora.
Se o PCC e o CV são terroristas, mafiosos ou empreendedores do caos, pouca gente menciona o óbvio: as facções já se instalaram nos entes do Estado brasileiro. Não é metáfora. É infiltração, captura, simbiose.
Há anos contratos públicos, licitações, gabinetes e até políticas de segurança convivem com a presença silenciosa — e às vezes ruidosa — dessas organizações.
Chamar de terrorismo pode até ser tecnicamente discutível, mas soa quase como promoção: afinal, poucas empresas criminosas conseguem tamanha capilaridade institucional.
No meio disso tudo, a soberania vira uma mera bandeira de ocasião.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor: Este texto oferece uma crônica mordaz e realista sobre o cenário político-eleitoral brasileiro, despindo a retórica dos candidatos para focar naquilo que realmente importa: a institucionalização do crime organizado. Longe de ser um debate puramente semântico entre “terrorismo” ou “máfia”, a análise provoca o leitor a enxergar a simbiose real entre as facções e o aparelho estatal, criticando o uso da soberania nacional como mero joguete de campanha.
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