Por Marcelo Berloffa¹
| Na Reforma Tributária, o imposto importa. Mas se manter competitivo será fundamental para garantir a existência da sua empresa.
Por muitos anos, permanecer no Simples Nacional foi uma decisão quase automática para milhares de pequenas empresas. Mas a Reforma Tributária está mudando essa lógica.
Em setembro de 2026, as empresas do Simples terão uma decisão importante: poderão escolher como tratar o IBS e a CBS — mantendo o recolhimento dentro do Simples ou optando pelo regime regular para esses dois tributos.
E aqui está o ponto que merece atenção: a decisão não deve considerar apenas quanto a empresa vai pagar de imposto. É preciso analisar também como ela será percebida pelos seus clientes.
Isso acontece porque o novo sistema muda a lógica dos créditos tributários.
Uma empresa que vende para outras empresas poderá encontrar situações em que o aproveitamento de créditos de IBS e CBS pelo cliente influencie diretamente a negociação. Na prática, dois fornecedores podem ter preços semelhantes, mas oferecer impactos tributários diferentes para seus compradores. Isso pode afetar a competitividade.
Por isso, não existe uma resposta pronta dizendo que permanecer no Simples será sempre melhor — ou que optar pelo modelo híbrido será necessariamente mais vantajoso. Cada empresa precisa fazer sua própria conta.
É necessário analisar faturamento, margem, fornecedores, perfil dos clientes, formação de preços, possibilidade de créditos e impacto no fluxo de caixa. E essa análise precisa começar agora.
O papel do contador também ganha uma nova dimensão. Não basta informar a legislação ou calcular o imposto. Será necessário simular cenários, interpretar números e ajudar o empresário a tomar uma decisão consciente.
A Reforma Tributária está transformando uma escolha que antes parecia predominantemente tributária em uma decisão que também pode ser comercial e estratégica.
Por isso, antes de escolher o caminho para 2027, faça as simulações de vários cenários possíveis, levando, também, em consideração as possíveis decisões que poderão ser tomadas pelos seus clientes e fornecedores.
Não escolha por hábito. Não escolha por achismo. Escolha olhando os números da sua empresa.
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¹Marcelo Viaro Berloffa é mestre em contabilidade, empresário contábil, conselheiro eleito no CRC-SP e membro da Academia Pedreirense de Letras – Cadeira nº 18 – Patrono: Henrique Bonaldo.



