A crise hídrica que atinge municípios do interior não é fruto do acaso, nem apenas das variações climáticas. Ela é resultado direto da falta de planejamento, da ausência de investimento em infraestrutura básica e da incapacidade do poder público de agir preventivamente. Água não é luxo. É direito básico. Quando falta água nas torneiras, o que se evidencia não é apenas a seca, mas o colapso da gestão pública. Reservatórios não foram ampliados, sistemas não foram modernizados e planos de contingência simplesmente não saíram do papel. Em momentos de crise, o Estado não pode ser lento, burocrático ou omisso. Medidas emergenciais precisam ser imediatas: abastecimento alternativo, apoio aos municípios, uso racional com orientação técnica e investimentos urgentes em captação e distribuição. Governar é antecipar problemas, não reagir quando o caos já está instalado. O interior não pode continuar pagando o preço da centralização e da falta de prioridade política. Quem vive fora dos grandes centros também trabalha, produz, gera riqueza e sustenta a economia do país. Crises revelam governos. E a falta de água revela exatamente isso: quando o planejamento falha, a conta chega e chega primeiro para quem tem menos voz.
-28/02/2026



