Por Marcelo Berloffa¹
Misturar família e empresa não é o problema. O problema é não definir onde termina uma e começa a outra.
Ao longo da minha trajetória profissional, percebi que muitas dificuldades enfrentadas pelas empresas familiares não surgem por falta de trabalho, dedicação ou competência.
O problema costuma aparecer quando a empresa cresce, mas sua gestão continua baseada apenas na informalidade.
Nos primeiros anos, isso normalmente funciona. As decisões são rápidas, todos se conhecem e os papéis parecem claros. Mas, com o crescimento do negócio, aumentam as responsabilidades, os riscos e a necessidade de organização.
É nesse momento que começam a surgir conflitos, dúvidas sobre responsabilidades e decisões tomadas sem critérios definidos.
Na maioria das vezes, não existe má-fé. O que existe é a ausência de regras claras.
Por isso, a governança se torna tão importante.
E governança não é algo exclusivo das grandes empresas. Ela começa com atitudes simples: definir responsabilidades, estabelecer processos e criar critérios para a tomada de decisões.
Nas empresas familiares, sua principal função é proteger tanto o negócio quanto os relacionamentos.
Quando cada pessoa conhece seu papel, os conflitos diminuem, as decisões ganham mais segurança e a empresa se fortalece para enfrentar os desafios do crescimento.
Empresas familiares carregam patrimônio, história e legado. Sua continuidade depende não apenas do esforço de seus integrantes, mas também da capacidade de construir uma estrutura capaz de sustentar o futuro.
Porque empresas familiares raramente enfrentam dificuldades por falta de dedicação.
Muitas vezes, enfrentam dificuldades por falta de regras.
E preservar a empresa é importante. Mas preservar a família pode ser ainda mais
¹Marcelo Viaro Berloffa é mestre em contabilidade, empresário contábil, conselheiro eleito no CRC-SP e membro da Academia Pedreirense de Letras – Cadeira nº 18 – Patrono: Henrique Bonaldo.



