Nem sempre declarar é uma obrigação. Mas, em muitos casos, deixar de declarar pode sair caro.
Todos os anos, a mesma dúvida se repete: afinal, quem precisa declarar imposto de renda?
A resposta passa por critérios objetivos, como nível de renda, patrimônio acumulado e algumas situações específicas previstas na legislação. No entanto, na prática, o que mais chama atenção não é apenas quem está obrigado — mas quantas pessoas deixam de declarar mesmo quando deveriam, ou deixam de aproveitar benefícios por falta de orientação.
É muito comum encontrar contribuintes que acreditam não precisar declarar por terem tido uma renda mais baixa ou por não se enquadrarem, aparentemente, nas regras principais. Ainda assim, acabam ignorando pontos importantes, como a posse de bens acima de determinado valor, rendimentos isentos relevantes ou até operações financeiras que exigem atenção.
Por outro lado, existe também um grupo que, mesmo desobrigado, poderia se beneficiar da entrega da declaração — principalmente para recuperar imposto retido na fonte ou para manter uma organização financeira mais clara ao longo do tempo.
O fato é que o imposto de renda não deve ser visto apenas como uma obrigação anual, mas como uma ferramenta de acompanhamento da própria evolução patrimonial. A declaração funciona, na prática, como um retrato da vida financeira do contribuinte.
Ignorar esse processo, seja por desconhecimento ou por descuido, pode gerar desde perda de dinheiro até problemas futuros com o fisco. Imposto de renda não começa em abril. Ele é construído ao longo do ano.
¹Marcelo Viaro Berloffa é mestre em contabilidade, empresário contábil, conselheiro eleito no CRC-SP e membro da Academia Pedreirense de Letras – Cadeira nº 18 – Patrono: Henrique Bonaldo.



