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O gol contra de cada dia!

*Por Sidenei Defendi
Dizemos que amamos, mas o amor parece exigir uma agenda com hora marcada. É assustador notar como nos tornamos peritos em criar as mais esfarrapadas desculpas quando o assunto é proteger de quem sempre cuidou de nós. Falta espaço na rotina para doar apenas um dia da semana, sim, míseras vinte e quatro horas a cada sete dias. Subitamente se descobrem ocupados demais. Um alega não ter condução para se deslocar, o outro inventa uma reunião tardia ou lembra-se de um compromisso inadiável de última hora. No teatro das justificativas modernas, a urgência do próprio umbigo sempre vence a necessidade de quem nos deu a vida. É o início do nosso pior campeonato: aquele em que jogamos contra nós mesmos.
O ser humano é um bicho engraçado. Passa a vida treinando para vencer um campeonato invisível, estuda táticas de ataque, planeja defesas milimétricas contra o mundo exterior, mas, na hora em que o juiz apita, corre na direção errada. Chuta a bola com toda a força contra a própria rede. Vibra com o cansaço como se fosse um troféu, sem perceber que o placar está contra ele.
Olhamos para o relógio e ele não corre; ele persegue. O tempo virou uma moeda que gastamos de forma compulsiva. “Não tenho tempo”, repetimos o mantra, orgulhosos da nossa própria engrenagem acelerada. Negamos uma hora de conversa boba no sofá com quem nos ama porque há assuntos mais gostosos na tela do celular. Negamos o almoço calmo, trocado por um sanduíche engolido em pé, em frente à mesma tela, porque assim não tenho de ouvir cobranças de certas atitudes, as quais podem esperar. O corpo envia sinais — uma dor nas costas, uma insônia persistente, um cansaço que o café já não cura —, mas nós ignoramos. Afinal, parar é para os fracos.
A ironia é que a justificativa para essa corrida insana é sempre a mesma: ah! o resto da família tá bem e por isso, não preciso estar junto. É o grande paradoxo do sabotador. Afastamo-nos da família para se sentir confortável. Fingimos não estar bem somente para não dar atenção a quem precisa e que mais tarde, não haverá tempo para recuperarmos esse tempo desperdiçado, que hoje compramos de um amanhã que ninguém nos garante que vai chegar.
Quando nos damos conta, a mesa do jantar está vazia, o corpo está esgotado e as horas mais bonitas da vida já passaram pelo retrovisor. O adversário que nos venceu não foi o pedido de atenção, não foi o destino. Fomos nós. Sim, nós que escolhemos ignorar o óbvio: família não tem preço, saúde é riqueza real e tempo é ouro puro.
Viver ignorando esses três pilares não é um acidente de percurso. É uma escolha diária de jogar contra o próprio patrimônio emocional. Toda vez que você diz “depois eu vou” para o seu filho, “amanhã eu cuido disso” para uma mãe ou pai que precisa de cuidados para a sua dor, ou “só mais uma hora de atenção ao celular, que entende que é para o seu descanso, é um drible que você dá em si mesmo.
No fim das contas, a vida não exige que sejamos campeões invictos de nenhuma liga profissional de sucesso. Ela só pede que a gente pare de marcar gol contra. Porque perder o jogo para o mundo é do esporte; mas perder o jogo para si mesmo é uma tremenda falta de inteligência.

Escrito na data mística de 6 de junho de 2026 – O dia 06/06 vibra em uma forte energia de amor, equilíbrio, cura e autoconhecimento. Considerado um portal energético poderoso na numerologia, o dia convida a olhar para dentro, fortalecer a autoestima, reorganizar objetivos e cultivar intenções para os próximos meses. É o momento ideal para anotar desejos, mentalizar coisas positivas e deixar para trás crenças e hábitos que não servem mais.

*Sidenei Defendi é jornalista profissional. Por quase duas décadas foi o âncora do TVP Notícias (depois SRTV Notícias) mestre de cerimônias, “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras.

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Sidney Defendi

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