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Entre lemas e caminhos diferentes, a jornada difícil, mas vitoriosa, do educador Adilson José Dorigatti

*Por Sidenei Defendi – Conteúdo Autoral –

Dizem que o magistério não escolhe apenas profissionais, mas molda sobreviventes. Antes de conquistar a sonhada efetivação, como professor, ADILSON JOSÉ DORIGATTI cruzou diferentes caminhos, acumulou funções e guardou na bagagem a sabedoria da vida. Sua jornada foi guiada por quatro pilares invisíveis, mas indestrutíveis: a fé na família, que sustentou seus primeiros passos, o acreditar nos amigos e na escola, que foram os faróis em dias de incerteza e a determinação de ajudar sempre, ATRAPALHAR NUNCA. Cada espaço percorrido antes da estabilidade não foi um desvio, mas a preparação exata para o mestre que ele se tornaria. O trabalho realizado em diversos segmentos deu-lhe amadurecimento para seguir firme e alcançar o seu grande objetivo.

O professor ADILSON JOSÉ DORIGATTIfilho de Octávio Francisco Dorigatti e Izaura Peterlini Dorigattique gosta de política, mas não concorda como ela é praticadanasceu aos 12 de janeiro de 1947, no Distrito de Arcadas, Município de Amparo,SP, mas, 20 dias depois, já era cidadão pedreirense. Aliás, recebeu este título 65 anos depois de ter se concedido filho da Terra dos Pedros. A honraria foi outorgada no final de 2012.

Como educador focou na formação de valores, no pensamento crítico e na autonomia do estudanteNão queria que o aluno apenas absorvesse e dominasse a matéria específicaSuas aulas visavam o desenvolvimento global. Ele atuou como guia, mediador, que buscava impactar, transformar e preparar o indivíduo para a vida em sociedade, considerando o contexto social e emoções.

Infância difícil – superando os obstáculos: A infância foi atribulada. Perdeu a mãe aos sete anos de idadeO pai, que foi agricultor na sua origem e depois da Revolução de 32, tornou-se mestre de obras, título conferido pelo governador do Estado de São Paulo, casou-se novamente, quando o pré-adolescente Dorigatti tinha 12 anos.

Em Pedreira o “senhor” Octávio trabalhou em muitas construções importantes como: Igreja Matriz de Santana, Colégio Humberto Piva, Estação de Tratamento de Água e também construiu inúmeras residências. Foi músico da Corporação Musical Santana e por certo período, regente. Em 1959, juntamente com a nova família mudou-se para o Estado do Paraná, tendo de lá retornado em 1974 e falecido no mesmo ano.

Neste período, Adilson José Dorigatti, juntamente com as irmãs Arlete e Giselda – que estavam noivas – foram morar com o cunhado – e pai, o acadêmico Nelson Cassiani, casado com a irmã Maria de Lourdes.


Formação educacional – encarando os desafios: Deu a largada nos estudos na Escola Cel. João Pedro de Godoy Moreira. Naquela época, era difícil estudar, havia poucas vagas. O desejo do pai era de que frequentasse o Liceu de CampinasMas, o jovem Dorigatti, preferiu trabalhar e o fez na Indústria Corcovado e na Cerâmica São Francisco. Com a criação da Escola Técnica de Comércio de Pedreira (atual EMEM Prof. João Emílio Begalli), reiniciou os estudos, porém, mais uma vez, teve de interromper o acesso as aulas, pois foi servir no 1º Batalhão de Carros de Combates Leves, Companhia de Comando, Seção de Comunicações, em Campinas. O atendimento à convocação era obrigatório.

Em 1970, terminou o “Curso de Professor Primário”, no Instituto de Educação Dr. Coriolano Burgos, de Amparo e iniciou a vida no Magistério. Primeiramente, dando aulas no antigo Curso de Admissão e Madureza Dr. Sylvio de Aguiar Maya, sendo que neste período ainda trabalhava na Porcelana Vera Cruz.


Em 1971, ingressou na Pontifícia Universidade Católica, de Campinas, concluindo o Curso de Estudos Sociais, em 1974. Neste ano, adentrou na carreira de Magistério do Estado de São Paulo, dando aulas de Artes, Desenho e Estudos Sociais, na Escola Carlos Araújo Pimentel, no Bairro do Cambuí, em Campinas.


Depois de formado, perdeu as aulas e ficou novamente desempregado. Como havia se casado em 1974, em 1975, foi contratado para trabalhar na Indústria de Decalcomanias Íris, como desenhista.


Voltou a estudar em 1981, cursando complementação em História e Pedagogia, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Plínio Augusto do Amaral, em Amparo. Neste período lecionava em Monte Alegre do Sul, na Escola Clodovil Barbosa; em Amparo, as aulas eram ministradas no Liceu João Belarmino; em Jaguariúna, nas Escolas Celso Tozzi e Amâncio Bueno.

Em Pedreira deu aulas nas Escolas: Morvan Dias de Figueiredo, Professor Arnaldo Rossi, Professor João Alvarenga e Dr. Sylvio de Aguiar Maya. Em agosto de 1981, como professor efetivo, foi para Pedra Bela, na Escola João Apocalipse, tendo retornado a Pedreira, como professor das Escolas Agrupadas do Bairro da Areia Branca, depois Morvan Dias de Figueiredo, Luiz Bortoletto, e Humberto Piva, quando se aposentou em 2001.

Como professor, no final dos anos 70 e início dos anos 80, na Escola Arnaldo Rossi, o professor Adilson teve uma ideia genial. Pediu aos alunos para que pesquisassem sobre os patronos de suas ruas, ou sejao nome da rua é Primo Frazatto, por exemplo. Quem foi, o que fez, quando e onde nasceu, morreu. Mas, o que deveria ser guardado e armazenado para servir como suporte aos historiadores e pesquisadores, acabou em nada. Eram tempos diferentes.

Foi diretor-substituto na Escola Morvan Dias de Figueiredo, logo após a aposentadoria do professor Norberto de Almeida (grande diretor); vice-diretor na Escola João Alvarenga e finalmente, vice-diretor e diretor da Escola Luiz Bortoletto, por 14 anos, sendo também responsável pela sua instalação. Neste período, a Escola Luiz Bortoletto ficou no Concurso da Saresp (93/94) entre as 100 melhores do Estado de São Paulo. Implantou o Projeto Escola do Futuro, que consistia em aulas de informática na Escola, dentro do Projeto da Motorola.

Quando no exercício do cargo de diretor de Escola foi eleito coordenador da Rede Física, tendo realizado estudos sobre a implantação e instalação dos seguintes estabelecimentos de ensino: Escola Estadual da Santa Clara (atual EMEIEF Prof. Maria Helena Ferraresso Armigliato); Escola Estadual do Jardim Marajoara (atual EMEIEF Prof. José Jurandyr Piva) e Escola Estadual do Jardim Andrade, que foi denominada Professora Hortência Ferrari Novo e depois, municipalizada com o nome de EMEF Dr. Airton Policarpo. 

Casamento, filhos e netos: No dia 14 de Dezembro de 1974 uniu-se matrimonialmente a Syla Godoy Campos Dorigatti. É pai de Paulo Alexandro, Maria Beatriz e Wilson Otávio e avô “*corujaço” dos netos.


De empregado a dono de Jornal: Trabalhou nas seguintes indústrias: Corcovado, São Francisco, São Benedito, São Luiz, Bela Vista, Vera Cruz e Indústria de Decalcomanias Íris. Na década dos anos de 1960, Dorigatti, Manolo e Hamilton Barbim criaram o Centro Cívico 31 de Março de Pedreira, que durou pouco tempo, devido aos anos da ditadura. Ainda quando aluno da Escola Técnica de Comércioincentivado pelos professores, Arnaldo Rossi, Fausto Pocai e Lázaro Alves de Oliveira encetou caminhada na Imprensa, sendo articulista de assuntos gerais no Jornal “O Pedreira”. Em 1973 criou o seu próprio semanário, o ‘Comércio e Indústria”, que circulou por 10 edições.

Na curta trajetória – interrompida por questões políticas – não ganhou nenhum troféu lustroso, porém, provocou a reflexão nos mais diferentes segmentos profissionais. Conseguiu espaço na memória e na história da Cidade. Mataram um jornal alternativo – tinha também “O Pedreira” – embora o Comércio & Indústria não havia atingido seus parcos três meses de existência, mas deixou boa relevância jornalística.  Porém, uma cirúrgica manchete do jornal, deixou os “então deuses da política pedreirense” insatisfeitos, irritados. Sem apoio financeiro, o C&I não resistiu e sucumbiu. O poderio político venceu, o jornal morreu e os moradores ficaram, mais uma vez, sem um canal de informações para comparação com o que permaneceu circulando.

O Jornal Comércio & Indústria teve durante o seu pequeno reinado o incentivo de José Braga da Silva, que era um dos altos funcionários da Cerâmica Santana. Se os “deuses da política da ocasião” tivessem entendido a manchete – que não gostaram e por isso trabalharam para minguar a já pequena renda que mantinha o semanário – talvez o Comércio & Indústria tivesse resistido e certamente, seria o mais antigo em circulação na “Cidade dos Pedros.”  Foram 10 suadas ediçõesinclusive doadas ao Museu Científico (ainda não havia o da Porcelana)as quais foram queimadasSim incendiadas, incineradasporque entenderam que eram jornais velhosPode? Acreditem, pois é a mais pura realidade!


Militou também nos jornais: União, Grupo de Letras e Gazeta do Povo. Colaborou, por décadas, com o Jornal da Comarca, desde sua fundação. Audacioso, sempre atento, foi correspondente dos jornaisDiário de São Paulo, Diário do Povo, O Estado de São Paulo, tendo também atuado nas seguintes emissoras de rádio: Cidade de Pedreira, Nova Sumaré e Rádio FM Boa Nova, de Pedreira.

Tornando-se Imortal nas Letras: No meio social, educacional, esportivo e cultural de Pedreira é conhecido como professor Dorigatti. Ocupa a Cadeira nº 23, da Academia Pedreirense de Letras, admitido em 2008, tendo como patrono, o jornalista, escritor e político Evaristo da Veiga, que foi titular da cadeira nº 8, da Academia Brasileira de Letras.


Quando da reforma da Constituição Nacional, integrou a Comissão Constituinte Municipal, presidida pelo então vereador doutor Paulo Antonio Begalli e foram enviadas muitas sugestões ao Congresso Constituinte.

Fez parte de Entidades, ONGs, Órgãos e Agremiações. Participou da Prenatda Prenat Independentefoi secretário da Corporação Musical Santanadiretor do Unidos dos Esportes – presidido na época pelo delegado de Polícia Milton Valter Setembroatuou como 2º secretário do Corinthians E.C. de Pedreira; foi duas vezes 1º tesoureiro do Clube Náutico Joaquim Carlosduas vezes vice-presidente e 2º secretário.

No Esporte Clube Santa Sofia e por cinco vezes consecutivas foi secretário do Conselho DeliberativoCoordenou por dois anos seguidos, em Pedreira, a tradicional Copa Arizona, sendo que, por ocasião da Terceira Copa, o Estádio Municipal foi negado e sem alternativa levou a competição para Monte Alegre do Sul. É fundador da Liga de Futebol Amador da Cidade de Pedreiradepois denominada Liga Desportiva de Pedreira, onde foi diretor de Esportes; presidente da Associação dos Amigos Praticantes do Esporte de Pedreira, desde sua fundação em 1994.

Na vida esportiva iniciou praticando futebol no Brigadeiro Atlético Clube, Unidos de Esportes, Congregação Mariana, E. C. Santa Sofia, E. C. Vila Monte Alegre, São Benedito, São Luiz e Vera CruzJogou basquete e vôlei no Clube Náutico Joaquim CarlosOcupou diversos cargos nos Conselhos Municipais, tais como: Municipal de Esportes, Municipal da Educação, Municipal do Idoso, Municipal do Turismo, Municipal de Entorpecentes e membro do Conselho Comunitário de Segurança.

Foi um dos primeiros voluntários do Serviço de Obras Sociaiscoordenador do TLC em 1969. Participou da fundação do Núcleo da Terceira Idade de Pedreira e da campanha – quando locutor da Rádio Cidade de Pedreira – para início da construção do atual prédio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE.

Quando secretário de Esportes e Turismona primeira administração do prefeito Hamilton Bernardes (93-96), elaborou projeto aprovado em Brasília, que incluiu Pedreira no Plano Nacional de Cidades com Potencial Turístico, tendo na ocasião recebido o “Selo de Potencial Turístico”. Continuou trabalhando, mesmo aposentado, colaborando quando solicitado, sem atrapalhar a vida de ninguém.

Também é o recordista de Pedreira em presença em Jogos Regionais e Abertos do Interior, como dirigente ou cronista esportivo. Se tiver todos os crachás guardados, dá uma bela exposição. Nunca foi de ficar em cima do muro. Tem ideias próprias e tenta pô-las em prática. Maneira de viver que lhe trouxe muitos dissabores em sua carreira. Afinal, nem todos gostam de ouvir as verdades. Infelizmente, vivemos num país em que muitas vezes o sucesso e a veracidade da opinião, incomodam.

Palmeirense de alma e crítico por natureza, ele carrega a verdade como dogma e repudia a mentira com a força de quem não molda o caráter para agradar ninguém.No pódio de sua memória e da história de Pedreira, eleva gigantes como Hygino Amadeu Bellix, Padre Nilo Romano Corsi, Humberto Piva, Dr. Sylvio de Aguiar Maya e seu pai, Octávio Francisco Dorigatti, homens que moldaram o chão que ele pisa.

Embora guarde o eco de que poderia ter entregado mais de si à política da cidade, sua mente inquieta projeta o futuro: falta a ele eternizar a própria jornada nas páginas de um livroPara Dorigatti, Pedreira não é apenas um município; é sua terra santa, um lugar sagrado e incomparável, pois sabe que a verdadeira identidade de um povo não se mede por paralelo, mas pela singularidade de sua própria essência.

*Um “avô corujaço” (evidente que é um neologismo carinhoso) é aquele que faz de tudo para ver os netos felizes, que vira criança junto com eles, conserta os brinquedos quebrados e sempre tem um carinho ou um mimo especial guardado.

** Sidenei Defendi é jornalista profissional, foi âncora do TVP Notícias e depois SRTV Notícias (por quase duas décadas); mestre de cerimônias, “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras. Este texto autoral foi desenvolvido de acordo com dados publicados na “Coluna Gente da Nossa Terra – Gente de Expressão”, de 21 de fevereiro de 2015, publicado no Jornal da Comarca e no Blog PEDREIRA AGORA. Atualizado em 25 de junho de 2026, às 18h41.pppp

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Esta notícia foi elaborada com base em dados oficiais disponibilizados por plataformas de transparência, que têm como objetivo ampliar o acesso à informação pública e promover a divulgação responsável, clara e profissional dos fatos.

Sidney Defendi

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