O artigo da semana passada despertou ecos que eu já previa. Entre as dúvidas que emergiram, uma ressoa com particular melancolia: “Pedreira possui uma Academia de Letras?” Essa incredulidade não é gratuita; é fruto de um silêncio prolongado. Há muito que a APL – Academia Pedreirense de Letras — não habita as conversas cotidianas, mas sua história merece ser resgatada, não pode ser apagada da memória coletiva.
A semente da APL foi plantada pelo entusiasmo de Claudio Aparecido Pereira (Fred Fredericce), o visionário promotor cultural que idealizou este templo do saber. Em sua jornada preparatória, Fred uniu forças ao jornalista Sidenei Defendi e ao advogado e empresário Dr. José (Zito) Castelo.
As primeiras reuniões aconteceram na Câmara Municipal de Pedreira, em uma sala cedida, na parte superior do Edifício, que testemunhou o nascimento do sonho. Mais tarde, os ideais ganharam fôlego na sede da ACEP, sob a presidência de Oscar Reginaldo Geremias. A alma jurídica da instituição foi moldada em 19 de setembro de 2003, através do labor do acadêmico Edgardo Luis Steula. A APL ainda encontraria abrigo na Galeria de João Baccarelli até que, em 2011, ao perder seu espaço físico, a Academia entrou em um estado de hibernação. Houve ensaios de despertá-la, mas a chama ainda aguarda o sopro certo para voltar a arder.
Muitos questionaramm: Para que serve, afinal, uma Academia de Letras? Ela subsiste com verbas públicas?
Uma Academia é, em essência, a sentinela da identidade de um povo. Sua missão é cultivar, preservar e semear a língua portuguesa e a voz dos poetas e escritores locais. É um farol que ilumina a produção literária regional, imortalizando a memória da Cidade. Diferente do que se imagina, as Academias de Letras no Brasil não vivem do erário público; são instituições privadas e sem fins lucrativos. Sobrevivem do desprendimento e da união de seus membros, que custeiam as despesas para manter viva a liturgia do saber.
O Quadro de imortais e seus Patronos – Os 13 fundadores foram:
- 1- Cláudio Aparecido Pereira (Fred) – Patrono: Arthur Azevedo
- 2- Hygino Amadeu Bellix – Patrono: Santo Tomás de Aquino
- 3- José Castelo – Patrono: Machado de Assis
- 4- Edgardo Luis Steula – Patrono: Cel. João Pedro de Godoy Moreira
- 5- Sidenei Defendi – Patrono: Roquete Pinto
- 6- João Eduardo Corsi – Patrona: Maria Trazzi Corsi
- 7- Claudio Luiz Cassiani – Patrono: Vinícius de Moraes
- 8- Maria Eunice C. de Godoy Geremias – Patrona: Clarice Lispector
- 9- Vera Ângela Pierin – Patrono: Alcides Pierin
- 10-Antonio Honório Filho – Patrono: São Paulo Apóstolo
- 11-Neli Aparecida de Oliveira – Patrono: Manoel Bandeira
- 12-Paulo Antonio Begalli – Patrono: Plínio Marcos
- 13-Sylvio Lazarini – Patrono: Antonio Castelo
Admitidos após a fundação:
14. Nilo Romano Corsi (São João Evangelista); 15. José (Zito) Fabrin (João Baptista Fabrin); 16. Geraldo Castelani (Adelino Castelani); 17. Nelson Cassiani (Carlos Drummond de Andrade); 18. Marcelo Viaro Berlofa (Henrique Bonaldo); 19. Adilson Spagiari (São Pedro); 20. Antonio Oswaldo Selingardi (Profª Carmen Fagundes); 21. Luiz Antonio Castelo (Arnaldo Rossi); 22. Antonio Carlos Honório; 23. Adilson José Dorigatti (Evaristo Veiga); 24. Orlando Stanley Juriaans e 25. Pedro José Castelo.
Na antessala deste grêmio, aguardam o ingresso: Natalie da Silva Jampaulo, Glauco Emerson Teixeira Viali Mazzetto e José Bróglio Sobrinho. Atualmente, sete cadeiras estão abertas para novos guardiões, deixadas vagas pela partida de seus titulares para a eternidade definitiva.
Em suma, a Academia de Letras é o espelho da alma de Pedreira. Serve para que a nossa história não se apague com o tempo, mas se perpetue no papel, mantendo a chama da literatura acesa para as gerações que ainda virão buscar em nossas raízes a sua própria inspiração.
Sidenei Defendi é Membro Efetivo da Academia Pedreirense de Letras.
Cadeira nº 5 – Edgard Roquete-Pinto -Médico legista, professor, escritor,
antropólogo, etnólogo, ensaísta e pai da radiodifusão brasileira



