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A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Chutar o balde. Engolir sapo. Lavar as mãos… Mais do que expressões idiomáticas,
essas sentenças revelam a sutileza do que é a construção de um repertório cultural que só se
adquire com a experiência da vida. Não é à toa que os principais vestibulares e o Enem
valorizam este aspecto para atribuir notas mais altas às redações e identificá-las como acima
da média. Em um processo seletivo, em que o domínio acadêmico é o básico esperado, é na
redação que o candidato tem a oportunidade de dar voz aos seus pensamentos e mostrar, um
pouco, de quem ele é.
Em 2008, o filme “Blackjack” ou “Quebrando a banca” – em português – inspirou-se na
história real de alguns alunos do Instituto de Massachusetts e suas incríveis habilidades em
matemática aplicadas aos jogos de cartas. A obra conta a história de Ben e, logo no início do
filme, deparamo-nos com uma entrevista entre ele e o responsável pelas admissões no curso
de medicina em Harvard. Na cena, o entrevistador revela que o candidato precisa fazer-se
brilhar além das notáveis médias acadêmicas, uma vez que o mesmo está competindo por
uma bolsa integral no valor de 300 mil dólares junto a outros 76 candidatos igualmente
inteligentes e excepcionais academicamente. A mensagem que fica é que devemos ir além da
mera nota.
No Brasil atual, um país cuja média de leitura por adolescente não chega a 4 livros ao
ano, notas excepcionais parecem um pote de ouro no fim do arco-íris para o vestibulando que
se engana ao não prestar atenção às sutilezas dos processos de avaliação. E nada mais
entrelinhas do que depender da análise de mundo, não é mesmo? O INEP cunhou o termo
repertório sociocultural diversificado para designar com todas as letras o que e como esse
conhecimento, quase abstrato da leitura global, aplica-se ao texto do ENEM. Tal cobrança é
avaliada na segunda competência da grade de redação e pode custar ou presentear o
candidato com até 20% da nota total da sua produção textual.
Sim, você leu certo: o conhecimento de mundo pode chegar a valer 200 pontos em uma
redação do Enem, e ainda é um ponto crucial na diferenciação de todas máximas em diversas
bancas de vestibulares, como Unicamp, Fuvest, Unesp, entre outras. Logo, é fundamental
auxiliarmos nossos estudantes e filhos com esse critério, ensinando que a vida – de fato – não
apenas vale a pena, como também a nota. Trocadilhos à parte, é no tecido social que esse
conhecimento se sustenta: que filmes, séries, livros e músicas fazem parte do seu cotidiano?
Que leituras, discussões e percepções de mundo nós temos? É preciso desafogar-se do
consumo imediatista e superficial que algumas redes sociais fornecem e mergulhar de cabeça
no oceano das referências. Quanto mais profundo, mais cores, texturas e formas seremos
capazes de perceber, logo, mais complexas serão nossas habilidades argumentativas e de
construção de repertórios.

Lembre-se: o óbvio só será óbvio para olhos treinados. Para que haja uma luz no fim do
túnel, é preciso – primeiro – desbravá-lo ao que parece ser às cegas, mas não é. Com orientação
e método é possível organizar, sistematizar e selecionar os repertórios que farão a diferença
na produção das redações ao longo da vida. Se você não quer ficar na superfície e deseja,
verdadeiramente, ir além, estarei aqui para guiá-lo nessa incrível jornada que vai além das
linhas e abraça a vida. É lá que o pote de ouro realmente está.
Gabriela Dimárzio – professora especialista em Redação para vestibulares e concursos / proprietária da
Madame Linguagem / formada em Letras pela Unicamp e pós-graduada em gestão e coordenação escolar.

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Esta notícia foi elaborada com base em dados oficiais disponibilizados por plataformas de transparência, que têm como objetivo ampliar o acesso à informação pública e promover a divulgação responsável, clara e profissional dos fatos.

Gabriela Dimarzio

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