A traição — no amor, na amizade ou na política — exala sempre o mesmo odor acre de coisa que se desfaz antes da hora. É como se a alma, ainda quente, começasse a apodrecer por dentro.
O amigo que recua no instante do confronto carrega em si a química amarga da decomposição moral. O amor que se esconde atrás de silêncios calculados também. Ambos deixam rastros de uma matéria afetiva que se liquefaz sem aviso.
No campo público, o abandono repete o mesmo ritual mórbido. Quando o político ousa enfrentar o que incomoda, alianças evaporam com a rapidez de um corpo exposto ao sol. A recusa ao enfrentamento produz deserções frias, quase clínicas. A lealdade, frágil como proteína instável, não resiste ao atrito.
E então o indivíduo fica só, cercado por promessas vazias. São ossos sem tutano, palavras sem carne, gestos sem pulsação. O abandono íntimo e o abandono coletivo se equivalem: ambos deixam o mesmo gosto metálico na boca. Um sabor que lembra que a confiança humana é organismo instável — e que, diante do conflito, muitos preferem fugir. Como se a coragem fosse matéria rara demais para ser compartilhada.
E tenho dito,
palavra de honra!
Nota do Autor
Esta crônica nasce da observação de um fenômeno antigo e sempre atual: a fragilidade das lealdades humanas. No íntimo e no público, a traição costuma seguir o mesmo roteiro silencioso — começa pequena, quase imperceptível, até que o cheiro da decomposição moral se torna impossível de ignorar.
Escrevi Palavra de Honra! como um gesto de afirmação. Não apenas para denunciar o abandono, mas para lembrar que a coragem — essa matéria rara — ainda existe, mesmo quando muitos preferem recuar. A palavra, quando honrada, é abrigo. Quando negada, é ruína.
Este texto é, portanto, um compromisso: o de não fugir do confronto necessário, o de não negociar princípios, o de não aceitar o silêncio como desculpa.
E, sobretudo, o de dizer — com todas as letras — que a honra ainda importa.
J. Tannus



