Quando o silêncio atravessado corta o ar enquanto candidatos falam, isso pode ser sinal de mau agouro.
O discurso deveria seguir firme, sem permitir que cada frase abrisse novas rachaduras no chão onde apoiadores e apoiados tentam se equilibrar.
Olhares perdidos denunciam fragilidades nas alianças — e, às vezes, esses olhares pesam mais do que sustentam.
Há apoios que chegam como muletas, outros como âncoras, e distinguir um do outro é tarefa ingrata.
Quando o apoiado observa cabisbaixo, mede o preço de cada gesto, cada explicação que não convence ninguém.
Talvez repasse mentalmente promessas feitas, expectativas infladas, caminhos escolhidos às pressas.
A política, afinal, é esse tabuleiro onde peças se movem sem aviso e viram ameaça num piscar de olhos.
Enquanto o orador titubeia nas respostas e tenta costurar justificativas, o ambiente oscila entre desconfiança e fadiga.
Alguns buscam sinais de firmeza; outros, apenas uma saída honrosa para o desgaste crescente.
O que se perde em credibilidade raramente retorna com a mesma força.
Ainda assim, ninguém ousa decretar derrotas — o jogo é longo, e a memória do eleitor, imprevisível.
Apenas o tempo dirá se aquele instante foi tropeço ou prenúncio de queda.
Por ora, resta seguir, mesmo que cada passo ecoe mais trôpego que o anterior.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor – Nem sempre escolhemos o apoiador certo, aquele que deveria servir de escora para campanhas eleitorais que vagueiam ao sabor do vento da credibilidade. Quando esse vento cessa — ou mesmo diminui — o desgaste se espalha como névoa, contaminando também os apoiados, com reflexos imprevisíveis no resultado eleitoral. E quanto mais se tenta explicar o inexplicável, mais fundo se torna o poço da moralidade, onde justificativas ecoam sem convencer e onde cada nova palavra pesa como pedra lançada na água parada.
J Tannus
