Caminhamos pelas ruas com faixas traçadas, riscadas, marcadas pelos labirintos dos paradoxos.
Há donos por todo lado e, nas ruas, praças, avenidas, logradouros, os que deveriam combater a corrupção se lambuzam nela, como se fosse mel.
A segurança pública, essa promessa sempre adiada, repousa nas mãos de quem flerta com o crime.
Propineiros se multiplicam como frutas maduras demais, caindo antes da hora.
E cada tostão comprado silencia uma voz que poderia fazer diferença.
O Estado, encolhido em seu próprio umbigo, finge não ver o desmoronamento moral.
As autoridades, cúmplices por conveniência, deixam a ética escorrer pelo ralo.
Resta à sociedade perceber que omissão também é escolha, também é opção.
Porque quando ninguém reage, o desvio vira regra, e a regra vira piada pronta.
A coisa, como diz o poeta, ‘por aqui tá preta’ e não por acaso, mas por hábito.
Mutretas se empilham como tijolos soltos, sustentando um prédio que insiste em não cair.
E a gente vai levando, até que, sem perceber, já estamos todos descendo as valas do Malebolge, o inferno dantesco da fraude, os bolsões dos males, o oitavo círculo dos corruptos, egocêntricos, inescrupulosos senhores do poder.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor – Se a realidade não se corrige sozinha, que seja a palavra o modo de resistir ao absurdo cotidiano. Se o silêncio é cumplice, que o nosso texto seja a denúncia, recebida e processada. Em tempo...
J Tannus



