Vivemos como lebres, correndo atrás da longevidade sem perguntar quem paga a conta emocional, financeira e social desse percurso.
A tartaruga, lenta e persistente, sabe que chegar longe exige planejamento e que a aposentadoria não é prêmio, é maratona.
Enquanto a previdência cambaleia como um coelho cansado de correr, o estigma da velhice transforma o idoso em peso, não em patrimônio.
Envelhecer virou produto para conquistar a vitalidade, a estética e a independência, mas a realidade inclui solidão, cuidadores caros e filhos distantes.
A fantasia de autonomia total ignora que o cuidado ficou escasso.
A longevidade é profundamente desigual: há quem envelheça com estrutura e quem envelheça no abandono.
Sustentar os anos conquistados exige políticas públicas eficazes, cidades preparadas e famílias que conversem antes da emergência.
No fim, a tartaruga vence porque pensou o caminho.
E, ironicamente, com as redes sociais e o trabalho remoto, a "melhor idade" ganhou nova pista; enquanto muitos jovens abandonam as atividades físicas e presenciais, são os aposentados que hoje ocupam academias, praças e cafés.
É preciso lembrar que é devagar que se vai ao longe, é preciso arquitetar o momento que ninguém gosta de pensar, porque a idade, quer queiramos ou não, nos arrebatará inesperadamente.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor - análise dos reflexos sociais, econômicos e jurídicos do envelhecimento na contemporaneidade. A arquitetura do envelhecimento é esquecida pelas políticas públicas e pela própria família do idoso. Envelhecer no Brasil é padecer no passado perdido, mas com o presente conhecido por todos.
J Tannus - Advogado, professor de Sociologia e Antropologia Jurídica, Direito Previdenciário, Direito Constitucional Radialista e cronista que tem Palavra de Honra! @jtannusjr



