O calendário tem dessas ironias que alimentam manchetes e suspeitas.
Primeiro vêm as urnas, depois vêm as decisões. E o brasileiro, calejado, logo pergunta se é coincidência ou recado dado a quem possa interessar?
No caso de Débora Rodrigues dos Santos, a do batom, a cronologia mostra que a prisão domiciliar surgiu meses antes e a progressão de regime veio depois do primeiro turno, embora fundamentada em requisitos legais apontados pelo próprio processo.
No caso de Allan dos Santos, o arquivamento de uma investigação específica também apareceu num momento politicamente sensível, mas sustentado por parecer da PGR sobre insuficiência de provas.
A política olha para o relógio. O Direito afirma olhar para os autos. Quando os dois ponteiros se encontram, nasce a dúvida pública.
Uns enxergam cálculo, outros enxergam mera sequência processual. Talvez a coincidência seja apenas conveniência.
Talvez seja uma daquelas bizarrices teratológicas que a história gosta de colecionar.
E, enquanto a verdade completa não aparece, o calendário continua fazer aquilo que faz desde sempre, oferece datas para que cada lado conte sua própria ‘milonguice’.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do Autor — Nesta crônica, o tempo e a justiça se entrelaçam para provocar a reflexão sobre as sutis coincidências que moldam a percepção eleitoral e pública. Convido o leitor a analisar se o ritmo dos tribunais obedece rigorosamente aos autos ou se dança conforme a conveniência do calendário político.
J Tannus



