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A Rádio que espalha o som que une Pedreira comemora seu Jubileu de Prata

Completando 25 anos no ar, a Boa Nova FM desafia as barreiras técnicas e o mercado para manter viva a identidade de Pedreira.

No dia 10 de setembro de 2001, quando os primeiros acordes e prefixos da Rádio Boa Nova FM (105,9 MHz) ecoaram pelo município, o mundo estava prestes a mudar drasticamente. No dia seguinte, 11 de setembro, as atenções globais se voltaram para o trágico atentado nos Estados Unidos. Mas enquanto o planeta assistia ao avanço do medo, em solo pedreirense nascia um farol de esperança. Pelas mãos visionárias do saudoso Monsenhor Nilo Romano Corsi — o eterno “padre comunicador” que nos deixou em 2 de novembro de 2010 — e de um grupo de abnegados colaboradores, a cidade ganhava uma voz dedicada exclusivamente ao bem comum e à coletividade.

O novo som que se espalhava pela cidade, finalmente rompia o silêncio. de longos dezesseis meses, em que Pedreira viveu em uma espécie de exílio acústico, privado de uma emissora local. A antiga Rádio Cidade AM havia sumido do mapa após ser interrompida por pendências burocráticas junto à ANATEL e ao Ministério das Comunicações, que calaram as ondas sonoras pela falta de renovação da permissão no prazo correto.

Manter a estrutura da Rádio Comunitária pulsando 24 horas por dia há um quarto de século é uma jornada titânica. No dial, os 105,9 MHz revelam um cenário de sobrevivência compartilhado. Longe de ser uma disputa comercial egoísta, a Boa Nova FM divide a frequência com coirmãs comunitárias estabelecidas em Jaguariúna, Santo Antônio de Posse e Amparo. São emissoras que enfrentam o mesmo desafio: a potência reduzida estabelecida por lei. É um ecossistema de gigantes locais que, respeitando seus limites territoriais, operam no limite da física para garantir que a identidade de cada município não seja sufocada pelas grandes redes comerciais.

O microfone da Rádio Comunitária é o tribunal, a praça pública e o palco que a maior parte do mundo renega. Quando o locutor assume a bancada, a mágica da cidadania acontece. Não se fala ali sobre as oscilações da Bolsa de Valores de Nova York, mas debate-se, com urgência vital, a lâmpada queimada no poste, a falta de médicos no posto de saúde ou o mutirão para reconstruir o telhado da vizinha que cedeu com a chuva.

Há quem chame esse esforço de amadorismo, o que é um erro crasso de perspectiva. O que se faz nessa pequena estação é a mais pura essência do jornalismo e da humanidade: a prestação de serviço desinteressada, o resgate da cultura e a preservação de uma identidade que a televisão de massa tenta homogeneizar.

As dificuldades sufocam. A conta de luz chega sem desconto, o transmissor pode apresentar problemas na tempestade e a burocracia estatal muitas vezes parece desenhada para silenciar o pequeno em benefício do gigante. Manter uma Rádio Comunitária viva no Brasil é um ato de tremenda teimosia.

Vencer essa barreira exige mais do que equipamentos; exige alma. Hoje, sob a firme direção de Geraldo Castelani — cuja trajetória se confunde com a própria fundação da emissora — a Boa Nova se sustenta sob o nobre manto do apoio cultural. Em um mercado onde a propaganda tradicional impõe as cartas, o apoio cultural transformou-se em um certificado de autenticidade e independência para a Rádio Comunitária. Enquanto houver um morador sintonizando a frequência para saber de uma campanha de vacinação, ou a dona de casa que realiza suas tarefas diárias com essa companhia, a emissora continuará de pé. A Rádio Comunitária já provou que a sua maior potência não se mede em watts, mas na capacidade de lembrar ao ouvinte que a sua voz existe e merece ser ouvida.

A Boa Nova FM nasceu no mês do Rádio e foi uma das pioneiras desta categoria na região. O rádio no Brasil surgiu oficialmente em setembro de 1922, e o dia 25 de setembro tornou-se o Dia do Rádio em homenagem a Roquette-Pinto, o “Pai da Radiodifusão”. Ele definiu a missão do veículo com maestria: “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças, o consolador dos enfermos e o guia dos sãos.”

Setembro também é o mês de quem faz a magia acontecer. O tradicional Dia do Radialista é celebrado em 21 de setembro (instituído em 1943 por Getúlio Vargas), embora uma nova lei também tenha oficializado o dia 7 de novembro em homenagem a Ary Barroso. O resultado é uma categoria tão forte e apaixonada que comemora o seu dia duas vezes por ano.

Esta crônica é uma homenagem direta e um agradecimento profundo a cada operador de áudio, locutor-técnico e colaborador que já doou ou continua doando suas horas para que a emissora nunca se cale. Vocês são os continuadores do sonho do Monsenhor Nilo. Ao longo desses 25 anos, provaram que a verdadeira potência da rádio se mede no tamanho do coração de quem fala ao microfone e na fidelidade da comunidade que escuta.

Naquele dia – 10 de setembro –  entraram no ar os programas do João Paulo Zonzini – Porteira Aberta –  (J.Peron, iniciando às 5h e prosseguindo até às 7h); depois Monsenhor Nilo e Chiquinho Silva; 7h30, Sidenei Defendi (Papo Vai, Papo Vem!, até às 9h30); na sequência iniciava o programa do José Carlos de Oliveira (Bolinha), às 11h, Crônicas, com Antonio Osvaldo Selingardi. No dia 15 do mesmo mês, um sábado, pela manhã, começava o Programa do Geraldo Castelani (Formando e Informando), que também já liderava os trabalhos da emissora. Geraldo Castelani continua ativo na programação até hoje, decorridos 25 anos. Havia ainda o programa do J.Alves, que posteriormente, se tornou um conceituado Chefe Confeiteiro; Oração da Ave-Maria, com Paulo Grillo, às 18h e na sequência Turma do Esporte, com Adilson Dorigatti e Cia.

Nos primeiros meses, integraram ainda a grade de programação: Fala Prefeito, às segundas-feiras, às 18h30m (na época o prefeito era José Carlos Lena). Depois vieram: Compadre Juca, Antônio Brasileiro, João Eduardo Corsi, Falando em Saudade, com Antônio Honório Filho, e outros bons programas, que ocuparam as faixas matutina, vespertina e noturna da emissora da Rua Siqueira Campos, 177, como os comandados por: Nilton Cesar Pignata, Glauco Emerson, Zé Trovão, Walquiria Barrocal, Ronaldo Parpinelli, Dr. Paulo Begalli, Lucas Lastória, Fernando Marinelli,  Matheus Marques e Fran Marques; Cristian, Eder e Kadu, Eunice Geremias, Fred Federicce, Marcos Ascêncio e Donizete Alvares, Geraldo Nalon, Júlio Silva entre outros. A emissora adotou como “slogans”: Rádio Boa Nova FM, 105,9, a Rádio Comunitária de Pedreira, a serviço do bem-comum. A voz do Povo, também mais forte no esporte!

Se ocorreu alguma omissão, peço desculpas, mas foi um ato involuntário, por esquecimento ou mesmo por desconhecimento. Que cada voz e cada talento, tanto aos que escreveram suas marcas no passado, que abriram os caminhos e deixaram um legado eterno, quanto aos profissionais que hoje estão na ativa, mantendo viva essa chama e que, certamente, estão tecendo cada um, a seu modo, uma bela história junto a emissora e a comunicação pedreirense, meus profundos respeito.

Historicamente há de se registrar que outros dois grupos também disputavam a concessão da emissora. Um liderado pelo Walter Antonio Carbonatto, ex-proprietário da Rádio Cidade de Pedreira (AM-1560 KHz) e o outro tendo como integrantes Edelver Ferro, Sidenei Defendi, Cezar Fabiano e Glauco Emerson Mazetto.

No ano de 2000, em uma reunião com o Ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, o então prefeito Antonio Ganzarolli Filho, ao ser indagado sobre qual grupo deveria ficar com a Emissora, indicou, de imediato, o formado pela Associação que havia sido mobilizada pelo Monsenhor Nilo Romano Corsi. O presidente da Câmara, na época, Francisco Stranieri também se fez presente na audiência.

Aplausos para a Rádio Boa Nova FM! Parabéns, Geraldo Castelani e toda a equipe técnica e de locução! Que a frequência 105,9 MHz continue sendo a trilha sonora oficial da solidariedade e da cultura da nossa cidade.

Por Sidenei Defendi – jornalista profissional, mestre de cerimônias, âncora do TVP Notícias e depois SRTV Notícias (por quase duas décadas), “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras. Este conteúdo é autoral.  Escrito em 9 de setembro de 2026, às 17h30)

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Esta notícia foi elaborada com base em dados oficiais disponibilizados por plataformas de transparência, que têm como objetivo ampliar o acesso à informação pública e promover a divulgação responsável, clara e profissional dos fatos.

Sidney Defendi

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