O Brasil é o país dos santos, dos orixás, das estatísticas.
Mas há um grupo silencioso de apostadores que acredita que a nação é guiada por números.
Eles olham para as siglas partidárias como quem aposta nas bets.
Cada número é um presságio, um aviso, uma promessa.
E quando o calendário eleitoral se abre, eles não veem candidatos: veem a mudança de vida, a sorte está lançada.
No ritual silencioso do eleitor, os números se espalham como caminhos possíveis.
O 30 corre como ficha lançada na mesa.
O 55 vibra parece uma roleta girando, com um pé em cada casa numérica.
O 40 lembra o apostador experiente, aquele que já perdeu muito, ganhou pouco e continua a acreditar na próxima rodada.
O 13 renasce como dado que cai sempre de um jeito diferente, mesmo quando o jogador jura que já conhece o truque.
No 10 a tentativa de organizar o caos, no 19 a aposta no brilho efêmero.
E o 22 oferece ao eleitor a sensação de que é possível moldar o destino com disciplina e propósito.
Diante das runas, na política como nos jogos, a sorte costuma ser tão infiel quanto os candidatos escolhidos por ela.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor – É sempre bom lembrar que, por trás dos números, existe sempre um país tentando se encontrar. A política, como o jogo, revela mais sobre nós do que sobre os resultados. Somos feitos de fé, risco, intuição e esperança. E cada escolha, por menor que pareça, carrega o peso simbólico de quem acredita no amanhã.
J. Tannus



