*Por Sidenei Defendi – Conteúdo Autoral –
É gratificante perceber que a literatura pedreirense continua encontrando novos fôlegos. Afinal, uma cidade não vive apenas de suas ruas, de suas praças ou de seus monumentos. Ela sobrevive, sobretudo, pelas histórias que meticulosos autores se dispuseram a contar.
Os distribuidores de sabedoria escancaram as janelas do tempo para que o ar da memória circule livremente. Recusam o esquecimento. Não apenas escrevem: vigiam, narram, registram e preservam. São os guardiões da memória de Pedreira. Nas páginas que produzem repousam a cultura, os costumes, as transformações, as alegrias e os desafios de cada época, permitindo que as futuras gerações encontrem, nas palavras, o retrato fiel de sua própria identidade.
Essa história vem sendo escrita pelas mãos talentosas de autores que decidiram eternizar suas ideias em livros. Entre eles, Ditinho Original, Priscilla Raggio, Edgardo Luis Steula, José “Zito” Fabrin, Pedro Maffei, Ana Flávia Nalom Baruchi, Dr. Paulo Antônio Begalli, Ana Silvia Marcatto Begalli, Yan Anderson, Aline Leideane Defendi, Sidenei Defendi, Vanessa Nascimento, Jonas Lúcio, José Francisco Graciolla, Ivan Selingardi, Sonia Maria Ferrareto Baccarelli, Mara Regina Faustino, Carlos Ângelo Panini, Francisco Geraldo Luchi. Nenhuma compilação esgota o tema: ausências são inevitáveis. Peço desculpas por eventuais e involuntárias omissões. Cada obra acrescenta um novo capítulo à grande narrativa da nossa cidade.
Há também aqueles que, mesmo sem terem fincado suas raízes no solo pedreirense, permitiram que a alma de Pedreira florescesse em suas páginas. Antonio Sonsin, o Professor Lima e o Padre Antonio Toloi Stafuzza compreenderam a essência desta terra e a transformaram em versos, relatos e memórias que ultrapassam nossas fronteiras, fazendo da Capital Nacional da Porcelana um lugar também eternizado pela literatura.
E como esquecer dos jornalistas e cronistas que, durante décadas, fizeram dos jornais da cidade verdadeiros arquivos da vida cotidiana? Em suas colunas, registraram fatos, opiniões, personagens e acontecimentos que hoje formam um precioso patrimônio histórico. Nomes como Adilson Dorigatti, Milton Walter Setembro, Iraldo Magalhães, José Gilberto Gonçalves Jampaulo, Sargento Renato, José Luis Nieri, Alexandre José da Silva, Rodrigo Padula, Adilson Spagiari, Nataly Jampaulo, Hélio José dos Santos, Silvio Lazarini, Alceu Dalto, Sidenei Defendi, Edelver Ferro, Dair Bassi, Antonio Claudio Rodrigues Marques, Antonio Honório Filho, José Homero Adabo, Henrique Bonaldo, Antonio Aggio, Pedro Paulo Pacce, Herbety Gião, Américo de Souza, Luiz Francisco Novo, Edgardo Luis Steula, Fred Federicce, Marcos Ascêncio, Glauco Emerson Mazzetto, Antonio Carlos Honório e Francisco Geraldo Luchi, entre tantos outros, que ajudaram a transformar o efêmero das notícias na permanência da memória coletiva.
Hoje, ao celebrarmos o Dia do Escritor, a homenagem começa aqui, em casa. Porque uma cidade que valoriza seus escritores, cronistas e jornalistas aprende a respeitar a própria história. E um povo que preserva sua memória jamais permite que sua identidade seja apagada pelo tempo.
E estes profissionais – atualmente uma casta rara – constroem pontes invisíveis entre almas, erguem universos inteiros apenas com o poder de algumas palavras cuidadosamente alinhadas. Essa gente atende por um nome simples e, ao mesmo tempo, grandioso: escritores. Enquanto houver alguém disposto a escrever sobre Pedreira, a cidade jamais conhecerá o esquecimento.”
No dia 25 de julho, celebramos homens e mulheres que descobriram que uma folha em branco não é um vazio, mas um horizonte infinito esperando para ser habitado. Escrever nunca foi apenas juntar letras. É um ato de coragem. É enfrentar a página como quem encara um espelho. É retirar da memória as alegrias, as dores, os sonhos e as inquietações para oferecê-los ao mundo na esperança de que alguém, em algum lugar, se reconheça neles.
Foi assim que nasceram as obras imortais de Clarice Lispector, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Jorge Amado, Rubem Alves, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Carolina Maria de Jesus, José de Alencar e tantos outros gigantes que transformaram a literatura brasileira em patrimônio da nossa identidade. Cada um, à sua maneira, ensinou que escrever é também resistir ao tempo. As pessoas passam; as palavras permanecem.
Não por acaso, em 25 de julho de 1960, a União Brasileira de Escritores instituiu oficialmente o Dia Nacional do Escritor, inspirada pelo entusiasmo do Primeiro Festival do Escritor Brasileiro, liderado por nomes como Jorge Amado e João Peregrino Júnior. Mais do que criar uma data comemorativa, aquele gesto reconhecia que uma nação também se constrói com livros, ideias e histórias.
Desde então, essa celebração tornou-se um convite para lembrar que a literatura não apenas entretém. Ela educa, inquieta, consola, denuncia, desperta consciências e preserva a memória de um povo. Cada livro é uma cápsula do tempo; cada crônica, um retrato da alma humana; cada poema, uma tentativa delicada de explicar aquilo que a razão sozinha não alcança.
O escritor carrega uma bagagem que não pesa nos ombros, mas ilumina o espírito. Nela cabem vocabulários, gramáticas, geografias, histórias, ciências, culturas, política, afetos e infinitas curiosidades. Porém, acima de todo conhecimento, carrega algo ainda mais precioso: a capacidade de imaginar o que ainda não existe e dar forma ao invisível.
Toda grande obra nasceu de uma pequena centelha. Um pensamento distraído. Uma lembrança insistente. Uma pergunta sem resposta. Antes de ser romance, drama, poesia, reportagem ou crônica, todo texto foi apenas uma ideia que encontrou alguém disposto a acreditar nela. Talvez seja esse o verdadeiro ofício do escritor: convencer o mundo de que uma simples ideia pode atravessar gerações.
Hoje, celebramos aqueles que fazem das palavras sementes. Que transformam tinta em memória, papel em abrigo e leitura em encontro. Homens e mulheres que escrevem para emocionar, provocar, ensinar, denunciar, sonhar e, sobretudo, para lembrar que enquanto houver alguém disposto a contar uma boa história, a humanidade jamais perderá a capacidade de sentir.
E se hoje comemoramos o escritor, é porque festejamos muito mais do que um ofício. Homenageamos homens e mulheres que compreenderam que a palavra é uma forma de permanência. Escrever é desafiar o tempo. É conversar com pessoas que talvez nunca conheçamos. É deixar acesa uma luz para aqueles que ainda virão.
Que nunca faltem escritores para contar nossa história, jornalistas para registrar o presente e leitores para manter vivas as páginas do passado e descobrir, entre uma linha e outra, o milagre silencioso que só a literatura é capaz de realizar, porque uma cidade só é verdadeiramente eterna quando alguém continua escrevendo o seu nome.
Se buscas um momento precioso, unindo a boa leitura ao café, e um espaço harmonioso, aqui vai uma dica imperdível: há um refúgio na Rua São José onde o tempo desacelera. No Peron Café Especiais, as páginas dos livros ganham sabor e o café de alta qualidade vira poesia líquida. Escolha uma história na biblioteca, deixe o mundo lá fora e saboreie o compasso calmo de um momento só seu.
*Sidenei Defendi é jornalista profissional, mestre de cerimônias, âncora do TVP Notícias e depois SRTV Notícias (por quase duas décadas), “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras. Este conteúdo é autoral. Material elaborado em 23 de julho de 2026 – 21h36.



