A Federico García Lorca, fuzilado
em 19-VIII-1936 por fascistas espanhóis
Exilada no céu, a Lua, ensanguentada,
Velava, entristecida, as noites de Granada
E tudo à sua volta...
Era a Guerra Civil! Em pleno mês de agosto,
Da morte, o braço armado e vil era entreposto
De rancor e revolta.
À sombra da ameaça esguia do martírio,
No bolso do poeta, uma caneta e um lírio
– Armas contra o cinismo!
Um zíngaro que amava os mouros e a poesia!
Deu combate sem trégua à espúria tirania
E à corja do fascismo!
Sem que sequer tivesse o choro de um amigo,
Seu corpo, fuzilado, encontrou por jazigo
Uma beira de estrada...
Nunca se revelou nem mesmo o paradeiro
Dos despojos do poeta altivo e verdadeiro
Que iluminou Granada!
Sei que Lorca, o divino, há de viver, por certo,
A cada vez que alguém disser, de peito aberto,
Que ama a vida e a verdade!
Pois há de renascer no povo, em sua entranha,
Do poeta, o clamor na bandeira da Espanha
Em prol da liberdade!



