Tu me arrancaste, um dia, ao talo antigo
E orifícios fizeste no meu peito
Para que, assim, lograsse mais proveito
Meu corpo de bambu, que hoje bendigo.
Fizeste-me aceitar – e como aceito! –
As dores e o clamor do lábio amigo,
E o meu cantar, gerando grãos de trigo,
Me proporciona a mesa, o teto e o leito.
Separado de ti e do meu talo,
Sou alma vegetal… e não me abalo!
Sou flauta de bambu que o Sol abrasa!
O grito de minha alma, em tal vertigem,
Bambu que anseia reencontrar a origem,
É um grito de quem quer voltar pra casa!



