Todo penduricalho deriva do verbo pendurar. O que ninguém esclarece é o sufixo icalho, aparentemente sem um significado isolado no português hodierno.De qualquer forma, o “icalho” ou, simplesmente, “calho” é um sufixo depreciativo: insinua uma coisinha pequenina, um objetinho sem valor, algo inútil, supérfluo, com pinta de tralha — uma bugiganga, coisinha pendurada.Mas, quando se trata de ultrapassar o teto, o penduricalho torna-se poderoso, aderente e persistente nos proventos de quem deveria seguir rigorosamente a lei. E não tem nada de inútil; pelo contrário, serve para inúmeras mordomias e transforma-se de acessório em principal nos contracheques dos privilegiados.E tem penduricalho para todos os gostos: para compra de paletó de grife, para tapioca no lanchinho da tarde, para implante de cabelo ou aplicação de botox — basta escolher sem hesitar.E o mais importante é que o trambolho agregado tem frufrus e firulas que não alteram a sua essência: não aumentam o salário-base, são temporários ou condicionados e fragmentam a remuneração cheia de cacarecos, o que torna a estrutura remuneratória complexa e difícil de calcular.Mas uma coisa é certa: quem recebe penduricalho não abre mão desses bibelôs que adornam — e preenchem de alegria, todo mês — a vida de uns poucos agraciados.E TENHO DITO,PALAVRA DE HONRA!
-28/02/2026


