Marcelo Henrique Tu me arrancaste, um dia, ao talo antigoE orifícios fizeste no meu peitoPara que, assim, lograsse mais proveitoMeu corpo de bambu, que hoje bendigo. Fizeste-me aceitar – e como aceito! –As dores e o clamor do lábio amigo,E o meu cantar, gerando grãos de trigo,Me proporciona a mesa, o teto e o leito. Separado de ti e do meu talo,Sou alma vegetal… e não me abalo!Sou flauta de bambu que o Sol abrasa! O grito de minha alma, em tal vertigem,Bambu que anseia reencontrar a origem,É um grito de quem quer voltar pra casa!
-28/02/2026



