O Carnaval mais uma vez mostrou sua grandiosidade: desfiles luxuosos, carros alegóricos milionários e investimentos que chegam a cifras impressionantes para poucos dias de espetáculo. É cultura, é tradição, é economia girando. Mas, enquanto milhões são destinados à festa, a ciência brasileira segue lutando para sobreviver. Faltam recursos, faltam incentivos e, muitas vezes, falta prioridade. Um exemplo que causa indignação é o da pesquisadora Tatiana Sampaio, que há mais de 25 anos lidera na Universidade Federal do Rio de Janeiro pesquisas sobre a polilaminina um medicamento experimental extremamente promissor para regeneração de tecidos nervosos e recuperação de movimentos em pessoas com lesões neurológicas. A polilaminina representa esperança real para pacientes com lesão medular e outras condições graves. No entanto, por falta de recursos para manter e ampliar os estudos, o Brasil perdeu a patente da descoberta. Um trabalho de décadas, com potencial de transformar vidas, deixou de ser protegido nacionalmente por ausência de investimento. É impossível não questionar prioridades. Enquanto há abundância para o entretenimento, a ciência que salva vidas enfrenta abandono. Não se trata de ser contra o Carnaval, mas de refletir sobre equilíbrio e responsabilidade. Perder uma patente dessa magnitude não é apenas um revés científico é uma vergonha para nós, brasileiros, que vemos talentos extraordinários lutando quase sozinhos para manter viva a pesquisa nacional. O brilho da avenida dura dias. A ciência poderia mudar gerações.
-28/02/2026



